domingo, 13 de julho de 2008

Rosa Maria



Cantora mineira, mas que iniciou sua carreira no Rio de Janeiro, como intérprete de Bossa Nova no Beco das Garrafas.
Lançou o primeiro álbum em 1965, e depois uma série de compactos, dentre os quais posto este de 1976.
Nesse trabalho, claramente puxado para roupagem disco, conta com a participacão de Waltel Branco e Robson Jorge.



quarta-feira, 11 de junho de 2008

Jimmy Smith - Senta aí, minha filha!



Disco de 77 do famoso organista americano.
Mais um da série "véio dos 60's que entrou na onda e nos timbres dos 70's".
Muito Clavinet com phaser, lembra até os discos do Herbie Hancock da fase Headhunters.
Aproveitem.
Abraço a todos.









domingo, 8 de junho de 2008

Tira o Pé Do Chão!



Graham Central Station - 1974 - Release Yourself

Liderada por Larry Graham, excelente baixista de Sly & The Family Stone, lançou 8 discos entre 1973 e 1998. O segundo disco, Release Yourself, de setentaequatro, é pratcament um bagúiomuitoloco, um excelente animal. É, de fato, alucinant.
Completam a banda, o guitarista David Vega, os tecladistas Robert Sam e Hershall Kennedy, o percussionista Patrice Banks e o baterista Willie Sparks.


Gil Jorge Ogum Xangô (Gil & Jorge) - 1975



Semana 23, semana 23, é semana de Jorge.
Na Semana 23 desse 2008, venho comemorar carregando uns quantos galão de água para os cavalo e bostando o disco GIL JORGE OGUM XANGÔ, de 75, que ficou conhecido como GIL & JORGE.
Foi lançado como álbum duplo pela Universal.






Tem o acompanhamento de um percussionista e de um baixista que eu não descobri os nomes. Se alguém souber por aí, acrescente depois.
Gravado de um jeito muito livre, com muita fumaça, vale a pena acompanhar a música sendo montada ali durante a execução. Cada um deles está numa caixa do som, no estilo do disco O Poeta e o Violão (Toquinho e Vinícius) já bostado também neste estábulo.

Em 26 de junho de 1942 nasce em Salvador, Gilberto Passos Gil Moreira. Vinte dias depois, a família, que havia se transferido para a cidade para o nascimento da criança, volta para Ituaçu, no interior do estado, onde morava.
Jorge Menezes nasceu em 22 de março de 1942 no Rio de Janeiro e foi criado em Catumbi, bairro da zona central da capital fluminense.
Gil tinha 32 anos e Jorge tinha 33 anos no lançamento do disco, em abril de 1975.


Saudação a todos os animais presentes.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

ELZA SOARES E WILSON DAS NEVES - 1968






Esta bostagem tem como objeto de observação, duas lendas VIVAS da nossa música. 1968, amigos, parceiros, compadres e tocando juntos pela vida, este disco une Elza Soares ( inconfundível dentro e fora da cancha reta) e Wilson das Neves ( ô sorte!!! maestro, baterista, cavalo né), que seguem nos encantado até hoje. Por isso, como diz o o equino DAS NEVES: "Enquanto tiver milho, tamo fazendo pipoca".
Clássicos como : Saudade da bahia (Dorival Caymmi - cabelinho branco), Garota de Ipanema, Balanço zona sul ( Tito Madi), Deixa isso pra lá ( primeiro RAP brasileiro), Samba de verão ( irmãos Valle), Se acaso você chegasse ( Lupicínio Rodrigues) entre outros, demonstram a excelência da raça.
Quanto aos músicos que executam as canções, consta apenas, o maestro Nélson Martins dos Santos (NELSINHO) responsável por vários LPs de ELZA. Além deste, outras pérolas de alguns paradigmas como: Clara Nunes, Clementina de Jesus, Johnny Alf, Miltinho, João Bosco, Nélson Gonçalves, Elizete Cardoso e os imperdíveis Paulinho da Viola - NERVOS DE AÇO ( 1973) e Jorge Ben - BEN É SAMBA BOM - (1964), ao lado de J.T.Meirelles, possuem a chancela de Nélson.
BOM GALOPE!!!!

XUCRO.


terça-feira, 27 de maio de 2008

MAIS UM AIRTO FOGO - O COMPACTO DE 72


Acabei de receber um email do cavalo amigo Tongo, que nos disponibilizou essa pérola de 1972, o compacto do Airto Fogo com as músicas Jungle Bird e Black Soul. 

Portanto, o nosso muito obrigado ao Tongo! Bem vindo a báia!




segunda-feira, 19 de maio de 2008

WALTER FRANCO - Ou Não - 1973


Aproveitando a coincidência dos nomes, resolvi apresentar uma pastagem que vai mais para um lado do psicodelismo, experimentalismo, progressivo, rock-zen, bicho-grilo. Walter Franco passou por todas essas fases e misturou-as ao longo destes 35 anos e 5 discos lançados.

Trocando só duas letras, saímos da alta classe do WALTEL BRANCO
e chegamos ao nobre WALTER FRANCO.




Walter Rosciano Franco nasceu em São Paulo em 06 de Janeiro de 1945. Filho do radialista e escritor Cid Franco, esteve sempre em um ambiente ligado às artes. Estreou como participante de festivais universitários, quando era aluno da Escola de Arte Dramática, de São Paulo. Na época forte dos festivais, participou de muitos, quase sempre beliscando algum prêmio. Em 1972 obteve prêmio especial com Cabeça, no VII FIC, da TV Globo, uma música diferente dos padrões convencionais, que despertou reações diversas. Seu primeiro disco foi um compacto simples com a música "No fundo do poço" (1971), tema da novela "O hospital", da TV Tupi. OU NÃO, seu primeiro LP foi lançado pela Continental em 1973. Além de “Ou Não”, lançou os discos Revolver (1975), Respire fundo (1978), Vela aberta (1982) e Tutano (2001).

OU NÃO – tem arranjos do Rogério Duprat e um espírito de radical experimentação, principalmente no jeito de cantar (destaque para os temas Flexa e Cabeça).

Não é o meu disco preferido do Walter Franco, mas tem a força de ter sido o primeiro disco do artista, com toda a intensidade que os primeiros discos costumam ter. Fui a um show dele na sala 209 da Usina do Gasômetro, acho que em 2002, só com ele na voz e no violão. Passou por todas estas fases musicais e conseguiu ainda alternar/unir o berro e o cochicho na mesma música como nos tempos dos anos 70.

Walter Franco já teve parcerias com o pai Cid Franco e hoje em dia divide muitas autorias com a companheira Cristina Villaboim. Abaixo, o artista hoje em dia.






O blog Sopa de Cérebro tem vários vídeos e um texto bom sobre o Walter Franco, pra quem quiser ver mais.


Boa pastagem a todos os equinos que dividem conosco esta estrebaria musical de forte inspiração e cardápio variado.






quinta-feira, 1 de maio de 2008

Waltel Branco - 1975 - Meu Balanço


Depois do excelente e surpreendente Airto Fogo, mais um título de Waltel Branco: "Meu Balanço", de 1975.

De sonoridade um pouco diferente do álbum posterior, sem tantos teclados e com temas bem mais brasileiros, é mais um baita disco do maestro Waltel. Destaque para os arranjos de cordas, violão de 12 e harpa. E a guitarra com caixa Leslie da faixa 1, "Luar do Sertão".

Peço que os eqüinos que têm mais discos, como o "Mancini também é Samba", postem aqui num futuro breve.

E lembrando que já estamos com um suposto contato do maestro, se tudo der certo logo o Xucro vai entrevista-lo no Programa das 7. Preparem suas perguntas!


quarta-feira, 23 de abril de 2008

AIRTO FOGO


Achei esses disco esses dias, até achei que era alguma coisa do Airto Moreira. 
Trata-se de um artista bastante desconhecido do funk francês (ou seria canadense?), que lançou apenas esse album em 1976 na França e no Canadá, e um single em 72.
Excelent trabalho de sopro, moog e clavinet.
Não existem muitas informações sobre esta banda/artista, inclusive quem souber mais , ou tiver o single de 72, por favor mande para ocavalo23@gmail.com que terei prazer de editar e adicionar no post.
Curiosidade: a música "Black Soul", do single de 72,  fez parte da trilha sonora internacional da novela Cuca Legal, de 75. Na trilha nacional, estava também a música Linha do Horizonte do Azymuth.








sexta-feira, 18 de abril de 2008

Raul em Santos!


No Clima "Raul em Santos", alucinantment, e para desespero do equus, Chicavalo Do Contratempo, vou postar 3 discos de uma vez só. Simplesment porque devem fazer parte da discoteca obrigatória de todo Excelente Animal. Especialment postados para o eqüino de casco ligeiro, Luciano Leães, esses discos proporcionarão um momento "bagúio loco" a todos.
















"Sua Viagem Será Mais Rápida e Agradavel Se Apertar Somente o Botão Do Andar Desejado"


sábado, 12 de abril de 2008

Ernest Ranglin - Jazz Jamaicano



Ernest Ranglin é um guitarrista de jazz jamaicano, que soube (e sabe) como ninguém misturar os ritmos daquela ilha - ska, rocksteady, calypso e soca - com a sonoridade do jazz americano.
Como músico de estúdio gravou com todo mundo no final dos 50 e nos 60. Nos 70, como muitos outros artistas vindos do ska (Jackie Mitto, Rico Rodriguez), teve a manha de se atualizar e fez este ótimo disco de reggae, Ranglin Roots (1976).

Alguns de seus outros discos são de sonoridade mais jazz, acompanhado apenas do trio piano/baixo acústico/bateria, como o também ótimo Bellow the Bassline. Mas sempre com a malandragem jamaicana, da repetição de linhas de baixo, com muita pausa, sem as 23 notas por segundo do jazz.

Já este, de sonoridade 70's total, tem momentos quase funk, mas com a simplicidade e economia da cozinha clássica de reggae. E com a guitarra semi-acústica de jazz comendo solta, pra cima e pra baixo.

Ernest já é veterano (76 anos) mas continua tocando mais do que nunca, excursionando e fazendo discos.





domingo, 6 de abril de 2008

Arnaldo Baptista - Loki? - 1974




No dia 31 de dezembro de 1981 ele tentou se matar. O fato de não ter conseguido, mudaria para sempre a trajetória de sua vida.
Arnaldo Dias Baptista é um gênio, um cidadão paulista nascido em 06/07/1948, que quando tinha recém 18 anos de idade, já se mostrava um superdotado musical. Aos 19, forma, junto com seu irmão Sergio Dias e sua futura esposa Rita Lee, “Os Mutantes”, considerada até hoje a melhor banda brasileira de rock de todos os tempos.
Em 1968 é lançado o primeiro disco: “Os mutantes”, e fica difícil de acreditar que o responsável pela banda tinha apenas 20 anos. Os anos seguintes foram de muita criatividade e produção, era aquela época em que nada era problema, tudo era feito com muita vontade, alegria e marotagem, coisa de guri mesmo.
Em 1969 sai o segundo disco: “Mutantes”, e em 1970 o terceiro, chamado “A divina comédia ou ando meio desligado”.
A partir de 1971 as coisas começam a mudar no conjunto. A influência das drogas começa a ficar evidente tanto nos discos como nas atitudes de seus integrantes, principalmente nas de Arnaldo. Mais ou menos nessa época eles se mudaram para a serra da Cantareira, perto de São Paulo, e ficavam o tempo todo lá tomando ácido e compondo. Os álbuns “Jardim Elétrico” e “Mutantes e seus cometas no país dos baurets” mostram um lado bem mais maduro da banda, e o espaço de Rita começa gradativamente a diminuir, até que em 1973 ela é convidada a se retirar.
O disco deste ano, “O A e o Z” reflete uma banda bem diferente da que era no começo, com uma influência bem mais progressiva na linha “Yes”, “Emerson Lake & Palmer” e Pink Floyd. As músicas começam a ficar longas, com muitas partes, muitas notas e poucos vocais. Já não tem mais aquela coisa escrachada, aquele deboche saudável e as críticas indiretas, elas ficam bem mais sérias e tristes, sendo, na verdade, o retrato do que estava acontecendo com o grupo, tanto que a gravadora se recusou a lançá-lo na época.
Com a saída de Arnaldo dos Mutantes, também em 1973, seu irmão Sérgio ainda tentou seguir com o grupo, convidando outros músicos para lhe acompanhar, mas sem sucesso, até por que o cérebro da banda sem dúvida era seu irmão. Arnaldo montou, mais pro fim dos anos 70, a banda Patrulha do Espaço, gravando um disco de estúdio em 1977 e outro ao vivo em 1978, e também não obteve um bom respaldo. Na verdade a fórmula que realmente deu certo foi com a Rita Lee integrando o grupo.



O disco que venho postar todos já conhecem, mas por muita insistência dos meus parceiros eqüinos fiz este texto. Trata-se do clássico absoluto “Loki?”, de 1974 (Setenta e quatro !!!!), um disco genial, excelente, uma obra de arte, um disco gravado pratcament ao vivo de trio: Bateria, Baixo e Piano, e de vez em quando entra um outro instrumento só para complementar, tipo um órgão, um sintetizador, um violão, uns sopros e umas cordas em algumas faixas, arranjadas por Rogério Duprat.
O time escalado para as gravações foi o mesmo que atuava nos Mutantes, menos seu irmão que foi propositalmente limado por Arnaldo; Dinho na bateria, Liminha no baixo, e Arnaldo – obviamente – ao piano.
Gravar um disco de rock sem guitarras não é para qualquer um, o cara tem que realmente ter muita convicção do que está fazendo, e Arnaldo conseguiu isso perfeitamente com essa obra, considerada um marco na história do rock nacional, apesar de ser um álbum melancólico.
Hoje em dia, Arnaldo vive isolado em um sítio em Juiz de Fora (MG), e dedica seu tempo a pintar quadros e tocar alguns instrumentos, sempre supervisionado por sua atual mulher, a Lucinha Barbosa.
Era isso pessoal, e nunca se esqueçam: Cavalo não desce escada !













Nota do Administrador tirânico:

Aproveito para humildemente disponibilizar o áudio do show do Arnaldo em Porto Alegre, há alguns anos atrás, só de voz e piano. Som mais ou menos, vale mais pelo registro dele muito apavorado com o assédio. Tocou umas 5 músicas e meia e daí a Lucinha sustou o lance. Eu mesmo não estava lá, mas vários cavalos do blog estavam: o próprio Chicavalo, acho que Rocinante, e o Baio, que inclusive alugou seu teclado.




domingo, 23 de março de 2008

The JB's - Hustle With Speed - 1975




James Brown é sem dúvida o maior de todos no quesito Funk/Soul. Seus incontáveis discos e produções não deixam dúvidas: ele foi o principal responsável pela evolução do Gospel e do R&B para o Funk e o Soul, assim como pelo surgimento de um movimento muito importante na época e que perdura até os dias de hoje.
Além de ser um excelente compositor, músico e cantor, Brown ainda possuía uma excelente postura política e ideológica, que lhe permitiu deixar um enorme legado, sempre defendendo os negros e os pobres.

JB’s é a banda que acompanhou James Brown até a metade dos anos 70. Após várias brigas decidiram pela separação, levando junto o nome JB’s, que obviamente é a abreviação de James Brown. Os grandes responsáveis pela banda foram o trombonista Fred Wesley e os saxofonistas Maceo Parker e Pee Wee Ellis. A banda foi formada em março de 1970, e tinha os irmãos Bootsy e Phelps Collins na formação inicial, mas estes logo saíram para se juntarem ao P-Funk de George Clinton.

O disco que estou postando é de 1975, que, apesar de não ser da carreira solo de James Brown, mostra sua fundamental participação nos JB’s. Além de compor todas as faixas (menos uma versão), ainda arranjou todo o disco e participou como músico também.
Ouvindo o disco, logo se percebe que os assopradores não estão para brincadeira, os caras realmente se sobressaem com suas frases, linhas e solos que caracterizam o verdadeiro funk de raiz, além do fato desse “Horn Team” ser considerado o melhor do mundo nesse estilo. Só para lembrar que os membros desse “time” tocaram também com inúmeros artista importantes, tais como Ray Charles, The SOS Band e Cameo, entre muitos outros, e em 1975, quando pararam de trabalhar com Brown, entraram para o Parliament-Funkadelic, onde permaneceram por mais alguns anos. Na real os caras já tocaram com todo mundo que se pode imaginar.
Fred Wesley parece um pouco egoísta neste disco; solo de trombone é o que não falta, mas sempre na categoria; Maceo Parker está um pouco mais contido e, apesar de também gostar dum solo, aparece sempre na elegância.
Não consegui descobrir quem gravou os clavinetes, mas seja quem for o cara é um desgraçado, ele aparece muito neste disco, e sempre com muito bom gosto. A bateria e o baixo sempre impecáveis e o órgão aparece às vezes discretamente, apenas dando o “molho”. A sonoridade da guitarra também é algo bonito de se escutar, seja com o wah wah, seja com um reverb da época, ela aparece sempre com bases invejáveis.

Os destaques do disco, na minha medíocre opinião, são: a faixa 1, “Everybody Wanna Get Funky One More Time”, um groove de quase 10 minutos, sem sopros, cantado por Brown, que com seu inconfundível estilo chama as pontes para a parte B em outro tom, além de um especial com um fade total antecedendo e voltando depois para a parte A; “Thank You for Letting Me Be Myself and You Be Yours”, outro tema de quase 10 minutos, um groove nervoso com guitarra wah de um lado e clavinete do outro, e o baixo dispensa comentários; “Taurus, Aries & Leo”, canção na qual os arranjos de sopros se destacam muito, com frases onde a região do trumpete parece inalcançável, mas o desgraçado chega lá; e “Alone Again”, uma interpretação do JB’s para a famosa música de Gilbert O’ Sullivan, onde Fred Wesley faz a melodia no trombone de vara.
Pesquisando sobre o disco, descobri que existem duas versões para ele, uma com apenas 6 músicas e outra com 11, tendo 5 bônus.
O disco foi produzido por Charles Bobbit e Don Love.

The JB's - Hustle With Speed - 1975


domingo, 17 de fevereiro de 2008

Bola Sete - É a Bola da Vez (1959)






Djalma de Andrade, mais conhecido como “Bola Sete”, foi um guitarrista brasileiro nascido dia 16 de Julho (16+7...) de mil novecentos e 23 no Rio de Janeiro, encaixotado no dia 14 de Fevereiro de 1987 em Greenbrae, California. Já tocou com Dizzy Gillespie, Vince Guaraldi e outros jazzistas cuiudos por essas estâncias do mundo. Nos primórdios da sua joranda musical ele tinha seu conjunto chamado “Bola Sete e seu Conjunto”, com quem excursionou pelo Brasil nos anos 50. Morou pratcament durante toda sua carreira nos Estados Unidos gravando diversos discos até o final da sua carreira.



Foto da Tour com Dizzy Gillespie

O disco que venho a postar é o último dele gravado no Brasil, intitulado de “É a Bola da Vez”, Bola Sete interpreta temas de diversos compositores, com muita técnica o negão esbanja fraseados com melodias de muito bom gosto juntamente com divisões rítmicas bem gingadas.

Não consegui achar o time que joga junto com ele nesse disco, e nem mais informações interessantes sobre Bola Sete ou o disco que aqui venho a lhes proporcionar. Devido a tal obscuridade do “artefato”, coloquei à disposição desse bando de eqüinos para poderem ouvir essa obra e, se gostarem, pastar mais por desse campo.

Segue uma foto do Bola Sete com o Santana, na época em que ele, o Santana, não tocava mais com o Michael Shrieve. O Bola Sete é o da direita, no caso.





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Deodato - Skyscrapers - 1973




Nascido no Rio de Janeiro em 22/06/1943, começou a aprender piano muito cedo, e já na metade dos anos 50 tocava em festas e bailes cariocas. Mais para o fim da década se juntou ao pessoal da Bossa Nova, em 1959 atuando como músico de apoio em shows ao lado de Roberto Menescal e Durval Ferreira. Como tinha uma enorme facilidade em escrever e ler música, além de ser um virtuose das teclas, no começo dos anos 60 se destaca como arranjador, sendo requisitado para trabalhar com muitos artistas. O ano de 1964 foi muito produtivo e especial para Eumir; Lançou seu primeiro disco solo, e como se não bastasse, vieram vários outros discos próprios no mesmo ano, algo realmente incrível. São eles: “Impulso”, “Inútil Paisagem”, “Samba Nova Concepção”, “Idéias”, “Tremendão” e “Lounge”.

O fato de ter se mudado para os Estados Unidos muito cedo, fez com que Deodato se tornasse pouco conhecido no Brasil, por outro lado ficou muito conhecido no exterior. Me lembro perfeitamente de perguntar sobre Tom Jobim em algumas lojas de discos nos EUA e o atendente desconhecer o artista, logo em seguida, perguntando sobre Deodato lá estava o atendente com toda coleção na mão; Ah, Deodato tenho muita coisa aqui...

Foi então em 1967, incentivado por Menescal e Luis Bonfá, que Eumir partiu para os Estados Unidos sem data para voltar, todos acreditavam que ele se daria bem lá em virtude de seu grande talento como pianista e arranjador.
E não deu outra, no final dos anos 60, consagrou-se como arranjador de muitos trabalhos de artistas já estabelecidos, tais como Tom Jobim, Frank Sinatra, Astrud Gilberto, Aretha Franklin, Tony Bennett, Walter Wanderlei, entre outros, inclusive o próprio Luis Bonfá que acolheu Deodato em sua casa logo que este se mudou.
Foram então quase 7 anos sem lançar disco próprio, apenas trabalhando em discos de tudo que é artista. Porém o sucesso como compositor estaria por chegar a Eumir.
Em 1972, afim de concretizar de vez sua carreira solo, Deodato lança o disco “Prelude”, e foi a partir daí que ele se tornou também um compositor conceituado. A primeira faixa é uma adaptação para a música de Richard Strauss, “Also Sprach Zarathustra”, que acabou sendo usada de trilha para o famoso filme de Stanley Kubrick, 2001-Uma Odisséia no Espaço.

Assim como acontece com quase todos os compositores que ficam em atividade por muitas décadas, e com Eumir não foi diferente, nos anos 70 com o crescimento da música negra primeiramente nos EUA e depois chegando ao cenário mundial, ele acabou se adaptando, e dedicou esta década a lançar discos de Funk. Se você for analisar os discos do maestro soberano Antonio Carlos Jobim, que muito trabalhou com Eumir na Bossa Nova e no Jazz, verá que ele não tomou o mesmo caminho, mas isso deixamos para discutir outra hora...
A década de 70 presenciou então excelentes discos de Deodato; “Deodato 2”, “Skyscrapers”, “Whirlwinds”, “First Cuckoo”, “Very Together”, “Love Island” e “Knights of Fantasy”, sem falar nos clássicos “Night Cruiser” e “Happy hour”, já no começo dos anos 80. A partir daí vocês já sabem né ?

Pois é meus amigos, Eumir Deodato é um verdadeiro Cavalo musical, o cara fez de tudo na vida, foi jurado do Festival internacional da canção no final dos anos 60, foi contratado pela CTI nos anos 70, trabalhou em diversas trilhas dos filmes de Hollywood, dedicou-se muito a conduzir orquestras, fazendo arranjos e composições, em 73 apareceu definitivamente como artista solo apresentando-se no Hollywood Bowl com a “CTI All Stars Band” formando depois
sua banda e tocando também no Madison Square Garden em NY.
No final dos anos 70, com a febre da “DISCO MUSIC” tomando conta do mundo, Eumir foi chamado para produzir uma banda americana chamada “Kool and the Gang”, uma experiência realmente muito importante em sua carreira, afinal foram 3 ou 4 discos de muita vendagem, culminando com o sucesso estrondoso de “Celebration” em 1980, que atingiu alto nível de vendagem. Outras músicas que ficaram muito conhecidas também foram “Ladies Night” e “Get Down on it”, todas com Deodato também nos teclados, e ele ainda acabou sendo solicitado para produzir também bandas do mesmo naipe na época como a “Earth, Wind & Fire”.
Nota-se claramente a influência da “Disco” em Deodato em seu disco “Happy Hour” de 1982.
E para quem quiser ver ele atuando como tecladista, basta ver o clipe de “Celebration”, é muito engraçado, tem 15 negros no palco e um branco, lá atrás, escondido atrás do teclado.....é ele.

O disco que estou bostando, é o “Skyscrapers” de 1973 (quase), que na minha desprezível opinião é o melhor disco juntamente com o “Night Cruiser” de 1980, além do “Donato/Deodato”, em parceria com João Donato, que dispensa comentários.
Trata-se de um disco com uma influência mais Latina, onde predomina sempre uma base de piano. A melodia se dá com o órgão solando quase sempre monofonicamente, ou com algum instrumento de sopro. A percussão e as congas são bem destacadas além do baixo, da guitarra e da bateria tocando na elegância sem incomodar ninguém.
A maioria das composições são de Eumir. Tem dois temas dos irmãos Valle, um tema de Pacifico Mascarenhas, e a famosa “Atire a primeira pedra” (The First Stone) do velho Ataulfo Alves e Mário Lago, canção para a qual eu dou destaque nesse disco juntamente com a faixa 2 “Rudy’s” do próprio Eumir. Vale lembrar que Deodato veio até o Brasil para gravá-lo e aqui ele saiu inteiro em português como “Eumir Deodato e Os Catedráticos 73”, banda que o acompanhara por alguns anos.
O time montado para a gravação do álbum foi:
Deodato – Piano e Órgão
Ivan Conti “Mamão” – Bateria
Sergio Barroso – Baixo
Durval Ferreira – Guitarra
Zé Menezes – Guitarra
Bebeto – Congas
Helcio Milito – Percussão
Orlandivo – Percussão
Marvin Stamm – Trompete
John Frosk – Trompete
Wayne Andre – Trombone
Phil Bodner – Sax Tenor e Flauta
Romeu Penque – Flauta

Sei que quase todos os cavalos deste potreiro já conhecem este disco, mas pastei ele pensando nos eqüinos de outros potreiros que também estão a alimentar-se desta alfafa.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Herbie Hancock - Sunlight - 1977



Herbie Hancock é um retardado, um tarado musical. Começou no jazz mais tradicional, tocou na melhor formação de Miles Davis, se adapatou ao funk nos anos 70, foi pro eletrônico nos 80 e gravou mais de 60 discos. Fez tudo que é merda que se pode imaginar, e ainda está fazendo.

Por isso seria muito difícil escolher um disco só para postar. Espero, inclusive, que os outros equinos ajudem com outras bolachas virtuais.

Mas escolhi esse, que talvez para os amantes convictos do jazz seja o mais bagaceiro de sua carreira (não, o "Feets, Don´t Fail Me Now" é mais...).

Herbie Hancock - Sunlight - 1977


No final dos anos 70 Herbie claramente tentou se aproximar do que a juventude negra americana estava ouvindo. A maioria do disco é de composições de muita elegância, meio disco/pop, aquele clima Nova Iorque final dos anos 70 quando ainda achavam ingenuamente que o pó tinha chegado pra levantar o astral do pessoal. Só a última música é que um jazz doidera, inclusive com Tony Willians na bateria e Jaco Pastorius no baixo.
E além disso, parece que o Herbie resolveu virar canário.
Pra isso ele usou no disco todo um vocoder Senheiser VSM 201, equipamento raríssimo hoje em dia. Ligado principalmente junto com um Minimoog, como na foto, mas em várias músicas acredito que ele tenha usado outros synths polifônicos. O Vocoder (voice + encoder) é um aparelho usado desde os anos 30, primeiramente para segurança em comunicações. Como a maioria da tecnologia que usufruímos hoje em dia, de audio ou não, foi um produto das necessidades logísticas da guerra. Era usado para codificar mensagens.

A voz humana é produzida a partir de dois fatores: a vibração das cordas vocais, e a forma que a boca dá a esses sons (basicament). O que o vocoder faz é usar o que falamos ou cantamos para dar forma à uma fonte externa de som. Por exemplo, um teclado. Ou seja, é um bagulho muito louco.
Pois Herbie fez isso com maestria nesse disco. Tem umas banda usando uns vocoder digital palha atualmente em Porto Alegre, mas é brabo, tchh.
Aqui a lista de teclados usado nesse disco:
Synths:
Oberheim Polyphonic, Oberheim OB-I, ARP 2600, Mini-Moog, ARP String Ensemble, Yamaha Polyphonic Synthesizer, Sequential Circuits Prophet , ARP Odyssey, Poly-Moog, Micro-Moog, E-Mu Polyphonic Synthesizer.

Eletro-mecânicos:
Yamaha CP-30, Hohner D6 Clavinet, Rhodes Electric Piano e piano acústico.
Existe um vídeoclip da música "I Thought It Was You", playback e radio edit, mas mesmo assim excelente. Eu tinha mas perdi num backup mal feito. Peço ao Chicavalo74 que poste aqui, ou no You Tube.

Vale lembrar que dois anos depois Herbie Hancock lançou o disco Direct Step, gravado ao vivo em estúdio no Japão, onde ele toca uma longa versão de "I Thought It Was You", com dois vocoders. Vale a pena conferir. Um dia eu posto.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

DORIVAL CAYMMI - "EU VOU PRA MARACANGALHA" 1957


Esta BOSTAGEM, tem como objetivo reverenciar Dorival Caymmi (Salvador, 30 de abril de 1914) cantor, compositor e pintor brasileiro. Casado com Adelaide Tostes, a cantora Stella Maris, desde 1940, teve três filhos: Dori, Danilo e Nana. Todos músicos também.


Este soteropolitano (do latim soter, salvador, e do grego polis, cidade) acreditem, salvou a capital baiana da mediocridade cultural e como poucos, no mundo dos arianos Coronéis nordestinos, soube extrair a alma de seu povo e dela fazer sua arte.
Muito se tem a falar de Caymmi ( "cabelinho branco", citado na bostagem de chicavalo74 - Poeta e o Violão - Vininha e Toco - com DORA "rainha do frevo e do maracatu") e sua influência na vida popular brasileira.

A escolha desta obra, MARACANGALHA, se deu pela importância na vida deste mestre.

Estamos em 1938, quando, após passar pela cidade do Recife ( evidente em sua poesia), Dorival resolve rumar ao Rio de janeiro para realizar o curso preparatório de Direito, demovido por amigos, resolve apresentar seu talento.

Primeiro, por obra do acaso, tem sua música "O Que É Que a Baiana Tem" incluída no filme "Banana da Terra", estrelado por Carmen Miranda.

O sucesso do filme aproximou Caymmi de Carmen Miranda e no ano seguinte, a convite do compositor Newton Teixeira, grava pelo selo Odeon, em dueto com a estrela, exatamente o samba "O Que É Que a Baiana Tem?"

Em 1940, com Bando da Lua (que estava no Brasil após dois anos nos Estados Unidos acompanhando Carmen Miranda) gravou, com enorme sucesso, "O Samba da Minha Terra", ("Quem não gosta de Samba/Bom sujeito não é/É ruim da cabeça/Ou doente dos pés"), último fonograma do grupo realizado no Brasil.

Apartir daí, o sucesso nacional foi inevitável.

MARACANGALHA, foi um enorme êxito popular de 1956, desbancando: Conceição (Cauby Peixoto), A Voz do Morro (Jorge Goulart), Iracema (Demônios da Garoa), Rock Around de Clock (Bill Halley), Obsessão (Carmen Costa), Meu Vício é Você (Nelson Gonçalves), Turma do Funil (Vocalistas Tropicais) e Sixteen Tons (Tennessee Ernie Ford) e, claro, nas festas de MÔMO, a mais executada.
Em 1957, DORIVAL CAYMMI, lança, então, o seu LP com o nome da faixa sucesso no carnaval do ano anterior. Um coice, meus equinos dilétos:

Maracagalha ( o sucesso), Samba da minha terra ( já consagrada), Saudade da bahia ( nostalgia de sua terra natal), Acontece que eu sou baiano ( tu és? eu não, então...), Fiz uma viagem ( retrata a falta de sorte dos nordestinos), Vatapá ( literalmente a receita deste quitute), Roda Pião ( as rodas da vida) e 365 igrejas ( sua forte relação com a religiosidade e os bacuris).



É vital ressaltar a relação com a família JOBIM, grandes amigos e parceiros musicais.










Esta é uma pequena amostra do que a Bahia de Caymmi teve!!!
IRRURRURRURRURRURRURRUIIIIIIIIIIIIIIIII
XUCRO.


DORIVAL CAYMMI - EU VOU PRA MARACANGALHA - 1957


quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Nilze Carvalho - Choro de Menina vol.1 (1981)






Estava faltando uma alma feminina neste potreiro; algum disco de alguma baita profissional que pudesse chegar bem firme e com as quatro patas dizer a que veio. Tivemos uma pastagem da trilha de Laranja Mecânica com Walter/Wendy Carlos, mas agora com o "Choro de Menina vol.1", da Nilze Carvalho, temos um disco definidamente feminino.
Até porque aquela outra égua tem tromba né ô tchê.

NILZE CARVALHO é carioca oriunda de Nova Iguaçu. Foi um daqueles fenômenos que de vez em quando aparecem no mundo da música e do esporte: uma guria que com cinco anos começou a tocar cavaquinho com uma habilidade impressionante. Vinda de família de músicos, despertou atenção de muita gente (imprensa, gravadoras, empresários) desde cedo. A habilidade demonstrada no cavaco e no bandolim fez com que Nilze começasse a frequentar e tocar nas rodas de samba da Portela e em festivais de Choro.

Em 1981, Nilze grava seu disco de estréia, "Choro de Menina vol. 1". Destaque para a excelente interpretação da canção "Apêlo", de Baden e Vinícius, presente no disco "O Poeta e o Violão", também pastado neste blog.


Depois, ela ainda lança mais três volumes do álbum Choro de Menina e então roda o mundo fazendo música. De 1992 a 1999 vai morar no Japão, ganhando seu fixo tocando em uma churrascaria, e excursionando quando possível.


Em 1999 volta ao Rio de Janeiro, onde vive até hoje. Divide-se entre sua carreira solo e sua participação no grupo Sururu na Roda.


Abaixo, duas fotos da Nilze Carvalho hoje em dia: em carreira solo e com o Sururu na Roda.


Boa audição a todos os eqüinos e eqüinas.







domingo, 6 de janeiro de 2008

Towering Toccata - 1977




Lalo Schifrin é um compositor, arranjador e regente argentino. Nascido em Buenos Aires em 21/06/1932, começa a estudar piano com 6 anos de idade. Anos mais tarde, aos 16, apresenta seu interesse pelo Jazz. Ao longo de sua carreira, Schifrin compõe inúmeras trilhas para filmes e televisão. Com a troca de gravadora em 1976, passando para a CTI (que na época era uma das mais populares), Lalo grava discos que saem um pouco da escola Jazz e exploram também outros ritmos e estilos como o disco e o funk, que nessa época cresciam bastante.
O disco que estou postando é o “Towering Toccata”, gravado entre outubro e dezembro de 1976 e lançado em 1977. Lalo aproveitou o embalo do disco anterior, o “Black Widow” de 76, e usou a mesma fórmula reunindo alguns dos mesmos músicos, tais como os sopristas Urbie Green, Joe Farrell e Jeremy Steig, além do guitarrista Eric Gale e o baixista Anthony
Jackson. Outros músicos que participaram deste disco foram: o baterista
Steve Gadd, o tecladista Clark Spangler e o guitarrista John Tropea.

Lalo Schifrin sempre foi conhecido por assinar muitas trilhas para filmes, posso citar como exemplo temas como: The Rise and Fall of the Third Reich, Mannix, The Fox, Cool Hand Luke, Bullitt, Enter the Dragon, THX 1138, The Four Musketeers, Dirty Harry, The Big Brawl, The Cincinnati Kid, Mission Impossible, Rollercoaster e The Amityville Horror.
É impressionante como alguns compositores conseguem criar tantas coisas boas em tão pouco tempo; “Black Widow”, “Towering Toccata” e ainda o “Free Ride” de 1977 (em parceria com o trompetista americano Dizzy Gillespie) foram gravados e lançados em menos de 2 anos.

Neste disco, dou destaque para a faixa número 3 “Macumba”, um tema muito agradável com excelentes melodias de flauta executadas por Jeremy Steig, seguidas por um categórico solo de guitarra de Eric Gale, além do piano Rhodes sempre em evidência e a percussão bastante presente. Vale lembrar que 4 temas deste disco são trilhas de filmes, apesar de não ser um disco destinado a um filme específico.

É isso seus quadrúpedes !!!

Lalo Schifrin - Towering Toccata - 1977


Bem, os argentinos talvez possam ter algum motivo de orgulho; a música,
por que se dependesse do futebol estariam perdidos, as duas copas que ganharam foram burladas; uma comprada e a outra com gol de mão!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Burning Deluxe - Agora com os links atualizados!






Quando se é aficcionado por uma determinada banda ou artista, ouvir músicas inéditas não lançadas até então é como descobrir um elo perdido. Foi a impressão que tive quando ouvi a primeira vez o Catch a Fire Deluxe, lançado a uns anos atrás. A "versão jamaicana" do primeiro disco dos Wailers trazia além de canções inéditas, versões mais cruas das já lançadas. Gravado originalmente em 8 canais na Jamaica, a versão oficial teve vocais regravados, teclados e solos de guitarra adicionados, e algum ou outro instrumento suprimido pelo produtor Chris Blackwell num estúdio em Londres.

A moda Deluxe pegou e em 2004 foi lançado o Burnin Deluxe Edition. Disco de 73 mas em versão masterizada e com alguns extras, temos por exemplo versões de Opressed Song e Reincarnated Souls, músicas que Bunny Wailer lançaria mais tarde em seu excelente disco de estréia de 76, "Blackheart Man". Pra quem já conhece o Blackheart, é muito bom ouvir as músicas numa versão executada pelos Wailers.
Também temos No Simpathy, que peter Tosh também lançaria no seu LP de estréia, "Legalize It". O fato dessas músicas não terem entrado reforça a teoria de que Blackwell realmente queria limar Tosh e Bunny, e concentrar o foco em Bob Marley.
Mas a cereja do bolo dessa edição é o disco 2, registro de um show dos Wailers em Leeds, dia 23 de novembro de 73.
Com o trio Bob, Peter e Bunny, mais a cozinha dos irmãos Barret, Carlton e Aston, e o orgão Hammond e Clavinet Honher de Earl "Wire" Lindo, a sonoridade é muito crua e direta. Sem os acessórios que iriam marcar o resto da carreira de Marley (backings femininos, mais um tecladista, percussionistas e guitarristas americanos mais "profissionais"), o show retrata um época pré mainstream, quase de garagem.
Seja nas longas introduções, ou nas aceleradas de tempo de Carlton Barret, se nota uma inexperiência misturada com um vontade juvenil de quem está ainda começando e quer mostrar serviço, ainda mais nos primeiros shows na Inglaterra.
Bunny Wailer faz backings e percussão. Tosh se encarrega dos solos, coisa incomum. Ainda mais com fuzz/wha, numa sonoridade podre no bom sentido. Tosh, assim como Bob, era estritamente um guitarrista rítmico, na real.
O show tem um som muito bom, com uma ambiência excelente. E como logo depois Bunny saiu da banda, trata-se de um registro ao vivo raro. Acredito que o disco "ao vivo em estúdio" Talkin Blues tenha sido gravado pouco tempo depois, mas já com Joe Higgs no lugar de Bunny.


O primeiro link é para o CD 1, disco original mas remasterizado e com os 3 bônus tracks citados acima:

Burning Deluxe - CD 1


O CD 2 é o show em Leeds.

Burning Deluxe - CD 2