terça-feira, 23 de setembro de 2008

Billy Blanco e Radamés Gnattali - Doutores do Samba ( 1958)





O Maestro gaúcho Radamés Gnattali (nascido em Porto Alegre - 1906, filho de uma pianista gaúcha e de um imigrante italiano apaixonado por ópera, ruma ao Rio de Janeiro em 1924 onde constrói sua biografia de muitos sucessos e parcerias) une sua obra à de Billy Blanco (paraense nascido em 1924, aparece na cidade maravilhosa no final da década de 40, tendo imediato destaque em 50 e seu merecido reconhecimento).







Este repertório foi lançado originalmente em 1958, no LP "Doutor em Samba", do cantor Paulo Marquez para a Columbia. Ao terminar a gravação, o engenheiro Umberto Contardi convenceu Billy Blanco a colocar informalmente sua voz sobre as bases instrumentais já prontas. A "brincadeira" foi guardada por Contardi durante 38 anos, e lançado em 1996.

Radamés Gnattali (regência, piano e arranjos), Chiquinho do Acordeon, Zé Menezes (guitarra), Pedro Vidal (baixo), Luciano Perrone (bateria), Zé Bodega (sax) e grande orquestra.
Billy Blanco (voz e músicas).
PEFEITO!!!!

sábado, 13 de setembro de 2008

23 - Dave Pike Set - 23



Aproveitando a ilustre oportunidade de postagem de número 23 do ano de 2008, indico dois discos de um grande artista nascido em 23 de março de 1938. Em Detroit, o vibrafonista Dave Pike começou na música com baterista. Mas deixou a bateria quando conheceu, em 1954, o vibrafone, instrumento que aprendeu a tocar sozinho. Depois de ter tocado com diversos artistas, entre eles, Herbie Mann, em Los Angeles e Nova York, mudou-se para a Alemanha, onde criou o Dave Pike Set com J.A. Rettenbacher (baixo acústico e elétrico, cello, percussão e vocais), Peter Baumeiter (bateria, percussão e vocais), Volker Kriegel (guitarra, cítara, percussão e vocais).
Sua obra, tem como principal característica, a influência da bossa nova, do soul-jazz e do experimentalismo.
Dave Pike continua na ativa e com disco ao vivo lançado em 2008.










Alguns outros discos deste excelente animal que recomendo:
Jazz For The Jet Set (1965) (com Herbie Hancock tocando orgão)
Four Reasons (1969)
Got The Feelin' (1969)
Noisy Silence - Gentle Noise (1969)
Se quiserem, é só pedir que disponibilizo estes e outros.
Aproveitem!


terça-feira, 2 de setembro de 2008

ALMEIDÃO - Cartas Celestes (1974 a 1982)



ALMEIDA PRADO é hoje em dia um dos compositores brasileiros mais importantes fora do Brasil. Provavelmente, ninguém nascido dos anos setenta em diante tenha escutado alguma coisa dele. Nascido em Santos-SP, sua obra é vasta e inclui mais de 400 composições, desde formações camerísticas e solistas, até grandes formações sinfônicas. Nestes dias de música pós-tonalatual, CARTAS CELESTES, a obra mais conhecida de Almeida Prado, deve ser ouvida por eqüinos que curtem estrelas, planetas, sistemas solares e extra-solares.
No artigo da pesquisadora Adriana Lopes da Cunha Moreira, Almeida fala um pouco sobre sua obra: "A Carta Celeste composta em 1974 surgiu a partir de uma encomenda para um evento no Planetário do Ibirapuera. Tinha que ser uma “música de fundo”, que durasse 20 minutos, abstrata e que não tivesse uma temática muito nítida, para não distrair as pessoas durante o show das estrelas. Assim, a razão que me levou a compor foi totalmente material. Com a finalidade de dar unidade ao show do Planetário, criei livremente 24 acordes atonais, que correspondem a cada letra do alfabeto grego, e que, por sua vez estão associadas (nos livros de astronomia) a cada estrela, de acordo com sua luminosidade e grandeza. Este material não temático, mas fixo, substituiria um tema, porque a cada vez que aparecesse uma constelação, surgiria o acorde associado a ela (mesmo que quem estivesse ouvindo não percebesse essa relação). Eu quis começar a obra com um “cluster” em movimento. O piano com o pedal abaixado daria um tumulto de harmônicos que iriam se acumulando do agudo para o grave, criando uma espécie de poeira cósmica de luminosidade difusa e isso seria acompanhado pelo decrescer da luz no Planetário. Em seguida, apareceriam: o Planeta Vênus, a Via Láctea e as demais constelações, que se sucederiam de acordo com o roteiro que eu havia recebido do Planetário. No final, a luz ia aumentando e o movimento ao piano seria do grave ao agudo. Quando eu voltei às Cartas Celestes, em 1981, comecei a utilizar as ressonâncias inferiores. Compus as Cartas Celestes de nºs 2 a 6 conscientemente. Achei que havia criado um sistema que ao mesmo tempo é uma atitude muito livre, sem regras. É quase uma situação sonora na qual você se apóia às vezes."


O autor atribui a "paternidade" desta sua música a Debussy, Messiaen, Beethoven e principalmente Chopin.



As peças foram lançadas em um vinil em 1982 pelo Estudio Eldorado.

São para piano solo e tem neste áudio algumas oscilações nas frequências, creio que devido à passagem de vinil para digital. Boa viagem!


Cartas Celestes 1 e 2

Cartas Celestes 3 e 4

Cartas Celestes 5 e 6



sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Wha Wha Watson


Aqui vai um post que estou devendo ao Cavalo Tião.


É virtualmente impossível que alguém que tenha vivido no planeta Terra dos anos 70 pra cá nunca tenha ouvido o guitarrista Wha Wha Watson. Sua discografia simplesmente não caberia aqui: Melvin Ragin Watson é responsável pela sonoridade clássica da guitarra funk em gravações que vão desde os tempos da Motown (Marvin Gaye, Jacksons 5), passando pelo jazz fusion de Herbie Hancock, e os principais artistas disco, como Barry White. Sem contar suas participações em trilhas sonoras: Desejo de Matar, As Panteras, SWAT.... Ele é praticamente um Forrest Gump da música negra norte-americana, esteve nos momentos mais importantes.

"Wha Wha" Watson obviamente ganhou esse apelido pela desenvoltura com o efeito wha wha, que funciona basicamente como um filtro na guitarra, acionado pelo pé. Assim influenciou e influencia milhares de guitarristas até hoje. E também com vários outros efeitos clássicos do funk, como envelope filter, phaser, talk box e eco.


Apesar da incontável discografia como "side man", Wha Wha tem apenas um registro solo: o disco Elementary, lançado em fevereiro de 1977.


Neste disco Wha Wha está muito bem acompanhado, como por exemplo James Jamerson no baixo, Herbie Hancock nos teclados e Ray Parker Jr. na guitarra, entre muitos outros.
Para mais informações e a discografia (incompleta, pois ali não vi o disco Free Ride de Lalo Shifrin e Dizzy Gilespie, por ex.), vale dar uma sacada no site oficial do puta velha: http://www.wahwah.com/

domingo, 13 de julho de 2008

Rosa Maria



Cantora mineira, mas que iniciou sua carreira no Rio de Janeiro, como intérprete de Bossa Nova no Beco das Garrafas.
Lançou o primeiro álbum em 1965, e depois uma série de compactos, dentre os quais posto este de 1976.
Nesse trabalho, claramente puxado para roupagem disco, conta com a participacão de Waltel Branco e Robson Jorge.



quarta-feira, 11 de junho de 2008

Jimmy Smith - Senta aí, minha filha!



Disco de 77 do famoso organista americano.
Mais um da série "véio dos 60's que entrou na onda e nos timbres dos 70's".
Muito Clavinet com phaser, lembra até os discos do Herbie Hancock da fase Headhunters.
Aproveitem.
Abraço a todos.









domingo, 8 de junho de 2008

Tira o Pé Do Chão!



Graham Central Station - 1974 - Release Yourself

Liderada por Larry Graham, excelente baixista de Sly & The Family Stone, lançou 8 discos entre 1973 e 1998. O segundo disco, Release Yourself, de setentaequatro, é pratcament um bagúiomuitoloco, um excelente animal. É, de fato, alucinant.
Completam a banda, o guitarista David Vega, os tecladistas Robert Sam e Hershall Kennedy, o percussionista Patrice Banks e o baterista Willie Sparks.


Gil Jorge Ogum Xangô (Gil & Jorge) - 1975



Semana 23, semana 23, é semana de Jorge.
Na Semana 23 desse 2008, venho comemorar carregando uns quantos galão de água para os cavalo e bostando o disco GIL JORGE OGUM XANGÔ, de 75, que ficou conhecido como GIL & JORGE.
Foi lançado como álbum duplo pela Universal.






Tem o acompanhamento de um percussionista e de um baixista que eu não descobri os nomes. Se alguém souber por aí, acrescente depois.
Gravado de um jeito muito livre, com muita fumaça, vale a pena acompanhar a música sendo montada ali durante a execução. Cada um deles está numa caixa do som, no estilo do disco O Poeta e o Violão (Toquinho e Vinícius) já bostado também neste estábulo.

Em 26 de junho de 1942 nasce em Salvador, Gilberto Passos Gil Moreira. Vinte dias depois, a família, que havia se transferido para a cidade para o nascimento da criança, volta para Ituaçu, no interior do estado, onde morava.
Jorge Menezes nasceu em 22 de março de 1942 no Rio de Janeiro e foi criado em Catumbi, bairro da zona central da capital fluminense.
Gil tinha 32 anos e Jorge tinha 33 anos no lançamento do disco, em abril de 1975.


Saudação a todos os animais presentes.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

ELZA SOARES E WILSON DAS NEVES - 1968






Esta bostagem tem como objeto de observação, duas lendas VIVAS da nossa música. 1968, amigos, parceiros, compadres e tocando juntos pela vida, este disco une Elza Soares ( inconfundível dentro e fora da cancha reta) e Wilson das Neves ( ô sorte!!! maestro, baterista, cavalo né), que seguem nos encantado até hoje. Por isso, como diz o o equino DAS NEVES: "Enquanto tiver milho, tamo fazendo pipoca".
Clássicos como : Saudade da bahia (Dorival Caymmi - cabelinho branco), Garota de Ipanema, Balanço zona sul ( Tito Madi), Deixa isso pra lá ( primeiro RAP brasileiro), Samba de verão ( irmãos Valle), Se acaso você chegasse ( Lupicínio Rodrigues) entre outros, demonstram a excelência da raça.
Quanto aos músicos que executam as canções, consta apenas, o maestro Nélson Martins dos Santos (NELSINHO) responsável por vários LPs de ELZA. Além deste, outras pérolas de alguns paradigmas como: Clara Nunes, Clementina de Jesus, Johnny Alf, Miltinho, João Bosco, Nélson Gonçalves, Elizete Cardoso e os imperdíveis Paulinho da Viola - NERVOS DE AÇO ( 1973) e Jorge Ben - BEN É SAMBA BOM - (1964), ao lado de J.T.Meirelles, possuem a chancela de Nélson.
BOM GALOPE!!!!

XUCRO.


terça-feira, 27 de maio de 2008

MAIS UM AIRTO FOGO - O COMPACTO DE 72


Acabei de receber um email do cavalo amigo Tongo, que nos disponibilizou essa pérola de 1972, o compacto do Airto Fogo com as músicas Jungle Bird e Black Soul. 

Portanto, o nosso muito obrigado ao Tongo! Bem vindo a báia!




segunda-feira, 19 de maio de 2008

WALTER FRANCO - Ou Não - 1973


Aproveitando a coincidência dos nomes, resolvi apresentar uma pastagem que vai mais para um lado do psicodelismo, experimentalismo, progressivo, rock-zen, bicho-grilo. Walter Franco passou por todas essas fases e misturou-as ao longo destes 35 anos e 5 discos lançados.

Trocando só duas letras, saímos da alta classe do WALTEL BRANCO
e chegamos ao nobre WALTER FRANCO.




Walter Rosciano Franco nasceu em São Paulo em 06 de Janeiro de 1945. Filho do radialista e escritor Cid Franco, esteve sempre em um ambiente ligado às artes. Estreou como participante de festivais universitários, quando era aluno da Escola de Arte Dramática, de São Paulo. Na época forte dos festivais, participou de muitos, quase sempre beliscando algum prêmio. Em 1972 obteve prêmio especial com Cabeça, no VII FIC, da TV Globo, uma música diferente dos padrões convencionais, que despertou reações diversas. Seu primeiro disco foi um compacto simples com a música "No fundo do poço" (1971), tema da novela "O hospital", da TV Tupi. OU NÃO, seu primeiro LP foi lançado pela Continental em 1973. Além de “Ou Não”, lançou os discos Revolver (1975), Respire fundo (1978), Vela aberta (1982) e Tutano (2001).

OU NÃO – tem arranjos do Rogério Duprat e um espírito de radical experimentação, principalmente no jeito de cantar (destaque para os temas Flexa e Cabeça).

Não é o meu disco preferido do Walter Franco, mas tem a força de ter sido o primeiro disco do artista, com toda a intensidade que os primeiros discos costumam ter. Fui a um show dele na sala 209 da Usina do Gasômetro, acho que em 2002, só com ele na voz e no violão. Passou por todas estas fases musicais e conseguiu ainda alternar/unir o berro e o cochicho na mesma música como nos tempos dos anos 70.

Walter Franco já teve parcerias com o pai Cid Franco e hoje em dia divide muitas autorias com a companheira Cristina Villaboim. Abaixo, o artista hoje em dia.






O blog Sopa de Cérebro tem vários vídeos e um texto bom sobre o Walter Franco, pra quem quiser ver mais.


Boa pastagem a todos os equinos que dividem conosco esta estrebaria musical de forte inspiração e cardápio variado.






quinta-feira, 1 de maio de 2008

Waltel Branco - 1975 - Meu Balanço


Depois do excelente e surpreendente Airto Fogo, mais um título de Waltel Branco: "Meu Balanço", de 1975.

De sonoridade um pouco diferente do álbum posterior, sem tantos teclados e com temas bem mais brasileiros, é mais um baita disco do maestro Waltel. Destaque para os arranjos de cordas, violão de 12 e harpa. E a guitarra com caixa Leslie da faixa 1, "Luar do Sertão".

Peço que os eqüinos que têm mais discos, como o "Mancini também é Samba", postem aqui num futuro breve.

E lembrando que já estamos com um suposto contato do maestro, se tudo der certo logo o Xucro vai entrevista-lo no Programa das 7. Preparem suas perguntas!


quarta-feira, 23 de abril de 2008

AIRTO FOGO


Achei esses disco esses dias, até achei que era alguma coisa do Airto Moreira. 
Trata-se de um artista bastante desconhecido do funk francês (ou seria canadense?), que lançou apenas esse album em 1976 na França e no Canadá, e um single em 72.
Excelent trabalho de sopro, moog e clavinet.
Não existem muitas informações sobre esta banda/artista, inclusive quem souber mais , ou tiver o single de 72, por favor mande para ocavalo23@gmail.com que terei prazer de editar e adicionar no post.
Curiosidade: a música "Black Soul", do single de 72,  fez parte da trilha sonora internacional da novela Cuca Legal, de 75. Na trilha nacional, estava também a música Linha do Horizonte do Azymuth.








sexta-feira, 18 de abril de 2008

Raul em Santos!


No Clima "Raul em Santos", alucinantment, e para desespero do equus, Chicavalo Do Contratempo, vou postar 3 discos de uma vez só. Simplesment porque devem fazer parte da discoteca obrigatória de todo Excelente Animal. Especialment postados para o eqüino de casco ligeiro, Luciano Leães, esses discos proporcionarão um momento "bagúio loco" a todos.
















"Sua Viagem Será Mais Rápida e Agradavel Se Apertar Somente o Botão Do Andar Desejado"


sábado, 12 de abril de 2008

Ernest Ranglin - Jazz Jamaicano



Ernest Ranglin é um guitarrista de jazz jamaicano, que soube (e sabe) como ninguém misturar os ritmos daquela ilha - ska, rocksteady, calypso e soca - com a sonoridade do jazz americano.
Como músico de estúdio gravou com todo mundo no final dos 50 e nos 60. Nos 70, como muitos outros artistas vindos do ska (Jackie Mitto, Rico Rodriguez), teve a manha de se atualizar e fez este ótimo disco de reggae, Ranglin Roots (1976).

Alguns de seus outros discos são de sonoridade mais jazz, acompanhado apenas do trio piano/baixo acústico/bateria, como o também ótimo Bellow the Bassline. Mas sempre com a malandragem jamaicana, da repetição de linhas de baixo, com muita pausa, sem as 23 notas por segundo do jazz.

Já este, de sonoridade 70's total, tem momentos quase funk, mas com a simplicidade e economia da cozinha clássica de reggae. E com a guitarra semi-acústica de jazz comendo solta, pra cima e pra baixo.

Ernest já é veterano (76 anos) mas continua tocando mais do que nunca, excursionando e fazendo discos.





domingo, 6 de abril de 2008

Arnaldo Baptista - Loki? - 1974




No dia 31 de dezembro de 1981 ele tentou se matar. O fato de não ter conseguido, mudaria para sempre a trajetória de sua vida.
Arnaldo Dias Baptista é um gênio, um cidadão paulista nascido em 06/07/1948, que quando tinha recém 18 anos de idade, já se mostrava um superdotado musical. Aos 19, forma, junto com seu irmão Sergio Dias e sua futura esposa Rita Lee, “Os Mutantes”, considerada até hoje a melhor banda brasileira de rock de todos os tempos.
Em 1968 é lançado o primeiro disco: “Os mutantes”, e fica difícil de acreditar que o responsável pela banda tinha apenas 20 anos. Os anos seguintes foram de muita criatividade e produção, era aquela época em que nada era problema, tudo era feito com muita vontade, alegria e marotagem, coisa de guri mesmo.
Em 1969 sai o segundo disco: “Mutantes”, e em 1970 o terceiro, chamado “A divina comédia ou ando meio desligado”.
A partir de 1971 as coisas começam a mudar no conjunto. A influência das drogas começa a ficar evidente tanto nos discos como nas atitudes de seus integrantes, principalmente nas de Arnaldo. Mais ou menos nessa época eles se mudaram para a serra da Cantareira, perto de São Paulo, e ficavam o tempo todo lá tomando ácido e compondo. Os álbuns “Jardim Elétrico” e “Mutantes e seus cometas no país dos baurets” mostram um lado bem mais maduro da banda, e o espaço de Rita começa gradativamente a diminuir, até que em 1973 ela é convidada a se retirar.
O disco deste ano, “O A e o Z” reflete uma banda bem diferente da que era no começo, com uma influência bem mais progressiva na linha “Yes”, “Emerson Lake & Palmer” e Pink Floyd. As músicas começam a ficar longas, com muitas partes, muitas notas e poucos vocais. Já não tem mais aquela coisa escrachada, aquele deboche saudável e as críticas indiretas, elas ficam bem mais sérias e tristes, sendo, na verdade, o retrato do que estava acontecendo com o grupo, tanto que a gravadora se recusou a lançá-lo na época.
Com a saída de Arnaldo dos Mutantes, também em 1973, seu irmão Sérgio ainda tentou seguir com o grupo, convidando outros músicos para lhe acompanhar, mas sem sucesso, até por que o cérebro da banda sem dúvida era seu irmão. Arnaldo montou, mais pro fim dos anos 70, a banda Patrulha do Espaço, gravando um disco de estúdio em 1977 e outro ao vivo em 1978, e também não obteve um bom respaldo. Na verdade a fórmula que realmente deu certo foi com a Rita Lee integrando o grupo.



O disco que venho postar todos já conhecem, mas por muita insistência dos meus parceiros eqüinos fiz este texto. Trata-se do clássico absoluto “Loki?”, de 1974 (Setenta e quatro !!!!), um disco genial, excelente, uma obra de arte, um disco gravado pratcament ao vivo de trio: Bateria, Baixo e Piano, e de vez em quando entra um outro instrumento só para complementar, tipo um órgão, um sintetizador, um violão, uns sopros e umas cordas em algumas faixas, arranjadas por Rogério Duprat.
O time escalado para as gravações foi o mesmo que atuava nos Mutantes, menos seu irmão que foi propositalmente limado por Arnaldo; Dinho na bateria, Liminha no baixo, e Arnaldo – obviamente – ao piano.
Gravar um disco de rock sem guitarras não é para qualquer um, o cara tem que realmente ter muita convicção do que está fazendo, e Arnaldo conseguiu isso perfeitamente com essa obra, considerada um marco na história do rock nacional, apesar de ser um álbum melancólico.
Hoje em dia, Arnaldo vive isolado em um sítio em Juiz de Fora (MG), e dedica seu tempo a pintar quadros e tocar alguns instrumentos, sempre supervisionado por sua atual mulher, a Lucinha Barbosa.
Era isso pessoal, e nunca se esqueçam: Cavalo não desce escada !













Nota do Administrador tirânico:

Aproveito para humildemente disponibilizar o áudio do show do Arnaldo em Porto Alegre, há alguns anos atrás, só de voz e piano. Som mais ou menos, vale mais pelo registro dele muito apavorado com o assédio. Tocou umas 5 músicas e meia e daí a Lucinha sustou o lance. Eu mesmo não estava lá, mas vários cavalos do blog estavam: o próprio Chicavalo, acho que Rocinante, e o Baio, que inclusive alugou seu teclado.




domingo, 23 de março de 2008

The JB's - Hustle With Speed - 1975




James Brown é sem dúvida o maior de todos no quesito Funk/Soul. Seus incontáveis discos e produções não deixam dúvidas: ele foi o principal responsável pela evolução do Gospel e do R&B para o Funk e o Soul, assim como pelo surgimento de um movimento muito importante na época e que perdura até os dias de hoje.
Além de ser um excelente compositor, músico e cantor, Brown ainda possuía uma excelente postura política e ideológica, que lhe permitiu deixar um enorme legado, sempre defendendo os negros e os pobres.

JB’s é a banda que acompanhou James Brown até a metade dos anos 70. Após várias brigas decidiram pela separação, levando junto o nome JB’s, que obviamente é a abreviação de James Brown. Os grandes responsáveis pela banda foram o trombonista Fred Wesley e os saxofonistas Maceo Parker e Pee Wee Ellis. A banda foi formada em março de 1970, e tinha os irmãos Bootsy e Phelps Collins na formação inicial, mas estes logo saíram para se juntarem ao P-Funk de George Clinton.

O disco que estou postando é de 1975, que, apesar de não ser da carreira solo de James Brown, mostra sua fundamental participação nos JB’s. Além de compor todas as faixas (menos uma versão), ainda arranjou todo o disco e participou como músico também.
Ouvindo o disco, logo se percebe que os assopradores não estão para brincadeira, os caras realmente se sobressaem com suas frases, linhas e solos que caracterizam o verdadeiro funk de raiz, além do fato desse “Horn Team” ser considerado o melhor do mundo nesse estilo. Só para lembrar que os membros desse “time” tocaram também com inúmeros artista importantes, tais como Ray Charles, The SOS Band e Cameo, entre muitos outros, e em 1975, quando pararam de trabalhar com Brown, entraram para o Parliament-Funkadelic, onde permaneceram por mais alguns anos. Na real os caras já tocaram com todo mundo que se pode imaginar.
Fred Wesley parece um pouco egoísta neste disco; solo de trombone é o que não falta, mas sempre na categoria; Maceo Parker está um pouco mais contido e, apesar de também gostar dum solo, aparece sempre na elegância.
Não consegui descobrir quem gravou os clavinetes, mas seja quem for o cara é um desgraçado, ele aparece muito neste disco, e sempre com muito bom gosto. A bateria e o baixo sempre impecáveis e o órgão aparece às vezes discretamente, apenas dando o “molho”. A sonoridade da guitarra também é algo bonito de se escutar, seja com o wah wah, seja com um reverb da época, ela aparece sempre com bases invejáveis.

Os destaques do disco, na minha medíocre opinião, são: a faixa 1, “Everybody Wanna Get Funky One More Time”, um groove de quase 10 minutos, sem sopros, cantado por Brown, que com seu inconfundível estilo chama as pontes para a parte B em outro tom, além de um especial com um fade total antecedendo e voltando depois para a parte A; “Thank You for Letting Me Be Myself and You Be Yours”, outro tema de quase 10 minutos, um groove nervoso com guitarra wah de um lado e clavinete do outro, e o baixo dispensa comentários; “Taurus, Aries & Leo”, canção na qual os arranjos de sopros se destacam muito, com frases onde a região do trumpete parece inalcançável, mas o desgraçado chega lá; e “Alone Again”, uma interpretação do JB’s para a famosa música de Gilbert O’ Sullivan, onde Fred Wesley faz a melodia no trombone de vara.
Pesquisando sobre o disco, descobri que existem duas versões para ele, uma com apenas 6 músicas e outra com 11, tendo 5 bônus.
O disco foi produzido por Charles Bobbit e Don Love.

The JB's - Hustle With Speed - 1975


domingo, 17 de fevereiro de 2008

Bola Sete - É a Bola da Vez (1959)






Djalma de Andrade, mais conhecido como “Bola Sete”, foi um guitarrista brasileiro nascido dia 16 de Julho (16+7...) de mil novecentos e 23 no Rio de Janeiro, encaixotado no dia 14 de Fevereiro de 1987 em Greenbrae, California. Já tocou com Dizzy Gillespie, Vince Guaraldi e outros jazzistas cuiudos por essas estâncias do mundo. Nos primórdios da sua joranda musical ele tinha seu conjunto chamado “Bola Sete e seu Conjunto”, com quem excursionou pelo Brasil nos anos 50. Morou pratcament durante toda sua carreira nos Estados Unidos gravando diversos discos até o final da sua carreira.



Foto da Tour com Dizzy Gillespie

O disco que venho a postar é o último dele gravado no Brasil, intitulado de “É a Bola da Vez”, Bola Sete interpreta temas de diversos compositores, com muita técnica o negão esbanja fraseados com melodias de muito bom gosto juntamente com divisões rítmicas bem gingadas.

Não consegui achar o time que joga junto com ele nesse disco, e nem mais informações interessantes sobre Bola Sete ou o disco que aqui venho a lhes proporcionar. Devido a tal obscuridade do “artefato”, coloquei à disposição desse bando de eqüinos para poderem ouvir essa obra e, se gostarem, pastar mais por desse campo.

Segue uma foto do Bola Sete com o Santana, na época em que ele, o Santana, não tocava mais com o Michael Shrieve. O Bola Sete é o da direita, no caso.





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Deodato - Skyscrapers - 1973




Nascido no Rio de Janeiro em 22/06/1943, começou a aprender piano muito cedo, e já na metade dos anos 50 tocava em festas e bailes cariocas. Mais para o fim da década se juntou ao pessoal da Bossa Nova, em 1959 atuando como músico de apoio em shows ao lado de Roberto Menescal e Durval Ferreira. Como tinha uma enorme facilidade em escrever e ler música, além de ser um virtuose das teclas, no começo dos anos 60 se destaca como arranjador, sendo requisitado para trabalhar com muitos artistas. O ano de 1964 foi muito produtivo e especial para Eumir; Lançou seu primeiro disco solo, e como se não bastasse, vieram vários outros discos próprios no mesmo ano, algo realmente incrível. São eles: “Impulso”, “Inútil Paisagem”, “Samba Nova Concepção”, “Idéias”, “Tremendão” e “Lounge”.

O fato de ter se mudado para os Estados Unidos muito cedo, fez com que Deodato se tornasse pouco conhecido no Brasil, por outro lado ficou muito conhecido no exterior. Me lembro perfeitamente de perguntar sobre Tom Jobim em algumas lojas de discos nos EUA e o atendente desconhecer o artista, logo em seguida, perguntando sobre Deodato lá estava o atendente com toda coleção na mão; Ah, Deodato tenho muita coisa aqui...

Foi então em 1967, incentivado por Menescal e Luis Bonfá, que Eumir partiu para os Estados Unidos sem data para voltar, todos acreditavam que ele se daria bem lá em virtude de seu grande talento como pianista e arranjador.
E não deu outra, no final dos anos 60, consagrou-se como arranjador de muitos trabalhos de artistas já estabelecidos, tais como Tom Jobim, Frank Sinatra, Astrud Gilberto, Aretha Franklin, Tony Bennett, Walter Wanderlei, entre outros, inclusive o próprio Luis Bonfá que acolheu Deodato em sua casa logo que este se mudou.
Foram então quase 7 anos sem lançar disco próprio, apenas trabalhando em discos de tudo que é artista. Porém o sucesso como compositor estaria por chegar a Eumir.
Em 1972, afim de concretizar de vez sua carreira solo, Deodato lança o disco “Prelude”, e foi a partir daí que ele se tornou também um compositor conceituado. A primeira faixa é uma adaptação para a música de Richard Strauss, “Also Sprach Zarathustra”, que acabou sendo usada de trilha para o famoso filme de Stanley Kubrick, 2001-Uma Odisséia no Espaço.

Assim como acontece com quase todos os compositores que ficam em atividade por muitas décadas, e com Eumir não foi diferente, nos anos 70 com o crescimento da música negra primeiramente nos EUA e depois chegando ao cenário mundial, ele acabou se adaptando, e dedicou esta década a lançar discos de Funk. Se você for analisar os discos do maestro soberano Antonio Carlos Jobim, que muito trabalhou com Eumir na Bossa Nova e no Jazz, verá que ele não tomou o mesmo caminho, mas isso deixamos para discutir outra hora...
A década de 70 presenciou então excelentes discos de Deodato; “Deodato 2”, “Skyscrapers”, “Whirlwinds”, “First Cuckoo”, “Very Together”, “Love Island” e “Knights of Fantasy”, sem falar nos clássicos “Night Cruiser” e “Happy hour”, já no começo dos anos 80. A partir daí vocês já sabem né ?

Pois é meus amigos, Eumir Deodato é um verdadeiro Cavalo musical, o cara fez de tudo na vida, foi jurado do Festival internacional da canção no final dos anos 60, foi contratado pela CTI nos anos 70, trabalhou em diversas trilhas dos filmes de Hollywood, dedicou-se muito a conduzir orquestras, fazendo arranjos e composições, em 73 apareceu definitivamente como artista solo apresentando-se no Hollywood Bowl com a “CTI All Stars Band” formando depois
sua banda e tocando também no Madison Square Garden em NY.
No final dos anos 70, com a febre da “DISCO MUSIC” tomando conta do mundo, Eumir foi chamado para produzir uma banda americana chamada “Kool and the Gang”, uma experiência realmente muito importante em sua carreira, afinal foram 3 ou 4 discos de muita vendagem, culminando com o sucesso estrondoso de “Celebration” em 1980, que atingiu alto nível de vendagem. Outras músicas que ficaram muito conhecidas também foram “Ladies Night” e “Get Down on it”, todas com Deodato também nos teclados, e ele ainda acabou sendo solicitado para produzir também bandas do mesmo naipe na época como a “Earth, Wind & Fire”.
Nota-se claramente a influência da “Disco” em Deodato em seu disco “Happy Hour” de 1982.
E para quem quiser ver ele atuando como tecladista, basta ver o clipe de “Celebration”, é muito engraçado, tem 15 negros no palco e um branco, lá atrás, escondido atrás do teclado.....é ele.

O disco que estou bostando, é o “Skyscrapers” de 1973 (quase), que na minha desprezível opinião é o melhor disco juntamente com o “Night Cruiser” de 1980, além do “Donato/Deodato”, em parceria com João Donato, que dispensa comentários.
Trata-se de um disco com uma influência mais Latina, onde predomina sempre uma base de piano. A melodia se dá com o órgão solando quase sempre monofonicamente, ou com algum instrumento de sopro. A percussão e as congas são bem destacadas além do baixo, da guitarra e da bateria tocando na elegância sem incomodar ninguém.
A maioria das composições são de Eumir. Tem dois temas dos irmãos Valle, um tema de Pacifico Mascarenhas, e a famosa “Atire a primeira pedra” (The First Stone) do velho Ataulfo Alves e Mário Lago, canção para a qual eu dou destaque nesse disco juntamente com a faixa 2 “Rudy’s” do próprio Eumir. Vale lembrar que Deodato veio até o Brasil para gravá-lo e aqui ele saiu inteiro em português como “Eumir Deodato e Os Catedráticos 73”, banda que o acompanhara por alguns anos.
O time montado para a gravação do álbum foi:
Deodato – Piano e Órgão
Ivan Conti “Mamão” – Bateria
Sergio Barroso – Baixo
Durval Ferreira – Guitarra
Zé Menezes – Guitarra
Bebeto – Congas
Helcio Milito – Percussão
Orlandivo – Percussão
Marvin Stamm – Trompete
John Frosk – Trompete
Wayne Andre – Trombone
Phil Bodner – Sax Tenor e Flauta
Romeu Penque – Flauta

Sei que quase todos os cavalos deste potreiro já conhecem este disco, mas pastei ele pensando nos eqüinos de outros potreiros que também estão a alimentar-se desta alfafa.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Herbie Hancock - Sunlight - 1977



Herbie Hancock é um retardado, um tarado musical. Começou no jazz mais tradicional, tocou na melhor formação de Miles Davis, se adapatou ao funk nos anos 70, foi pro eletrônico nos 80 e gravou mais de 60 discos. Fez tudo que é merda que se pode imaginar, e ainda está fazendo.

Por isso seria muito difícil escolher um disco só para postar. Espero, inclusive, que os outros equinos ajudem com outras bolachas virtuais.

Mas escolhi esse, que talvez para os amantes convictos do jazz seja o mais bagaceiro de sua carreira (não, o "Feets, Don´t Fail Me Now" é mais...).

Herbie Hancock - Sunlight - 1977


No final dos anos 70 Herbie claramente tentou se aproximar do que a juventude negra americana estava ouvindo. A maioria do disco é de composições de muita elegância, meio disco/pop, aquele clima Nova Iorque final dos anos 70 quando ainda achavam ingenuamente que o pó tinha chegado pra levantar o astral do pessoal. Só a última música é que um jazz doidera, inclusive com Tony Willians na bateria e Jaco Pastorius no baixo.
E além disso, parece que o Herbie resolveu virar canário.
Pra isso ele usou no disco todo um vocoder Senheiser VSM 201, equipamento raríssimo hoje em dia. Ligado principalmente junto com um Minimoog, como na foto, mas em várias músicas acredito que ele tenha usado outros synths polifônicos. O Vocoder (voice + encoder) é um aparelho usado desde os anos 30, primeiramente para segurança em comunicações. Como a maioria da tecnologia que usufruímos hoje em dia, de audio ou não, foi um produto das necessidades logísticas da guerra. Era usado para codificar mensagens.

A voz humana é produzida a partir de dois fatores: a vibração das cordas vocais, e a forma que a boca dá a esses sons (basicament). O que o vocoder faz é usar o que falamos ou cantamos para dar forma à uma fonte externa de som. Por exemplo, um teclado. Ou seja, é um bagulho muito louco.
Pois Herbie fez isso com maestria nesse disco. Tem umas banda usando uns vocoder digital palha atualmente em Porto Alegre, mas é brabo, tchh.
Aqui a lista de teclados usado nesse disco:
Synths:
Oberheim Polyphonic, Oberheim OB-I, ARP 2600, Mini-Moog, ARP String Ensemble, Yamaha Polyphonic Synthesizer, Sequential Circuits Prophet , ARP Odyssey, Poly-Moog, Micro-Moog, E-Mu Polyphonic Synthesizer.

Eletro-mecânicos:
Yamaha CP-30, Hohner D6 Clavinet, Rhodes Electric Piano e piano acústico.
Existe um vídeoclip da música "I Thought It Was You", playback e radio edit, mas mesmo assim excelente. Eu tinha mas perdi num backup mal feito. Peço ao Chicavalo74 que poste aqui, ou no You Tube.

Vale lembrar que dois anos depois Herbie Hancock lançou o disco Direct Step, gravado ao vivo em estúdio no Japão, onde ele toca uma longa versão de "I Thought It Was You", com dois vocoders. Vale a pena conferir. Um dia eu posto.